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gay Archives

maio 31, 2009

Do começo ao fim

Do Começo ao Fim é um filme que estreará entre julho e agosto. Apesar do tema polêmico - incesto entre dois meio-irmãos -, parece que o assunto será tratado com muita delicadeza. Adorei! Ah, e não... Eu não tenho absolutamente nada contra o incesto.


agosto 10, 2009

Gays em família

Uma simples mudança de perspectiva mostra que são as religiões homofóbicas, e não a homossexualidade, os verdadeiros vilões por trás da famigerada “destruição” do núcleo familiar.

Escrevo estas linhas pouco depois do Dia dos Pais. Como muitos que ainda têm a sorte de ter um pai, um pai vivo e um bom pai – nem sempre é possível ter tudo isso, e, para quem não tem, admito que o dia não tenha a menor relevância –, passei-o com o meu, em um jantar em família.

No meu caso, essa tradição ganha uma maior importância, já que não sou um indivíduo “muito família”. Vejo a noção que temos sobre essa “entidade” um tanto quanto artificial. Artificial, mas construída de forma a ter uma cara natural e fundamental, como se o “modelito nuclear” (pai, mãe e filhos) fosse o único capaz de garantir carinho, proteção e indivíduos saudáveis. Coisa que, basta uma olhada na história e mesmo nos dias de hoje, se revela falsa.

Isso, porém, não significa que não valorize o fato de ter uma família. Apenas que minha noção a respeito dela, que passa primordialmente pelo afeto – não acredito que o “sangue” seja, por si só, um elemento agregador – é diferente, e me permito o direito de exigir que o meu conceito seja também respeitado. Afinal, é por ele que pauto toda a atenção que dispenso a meus pais e minhas irmãs.

No entanto, na esfera pública, a atitude de respeito às diferenças entre as famílias e entre os conceitos de família é rara, especialmente quando analisamos o comportamento dos religiosos, notadamente evangélicos e católicos, mais fundamentalistas.

Para eles, existe só um tipo de família: a nuclear, e, em cima disso, justificam uma série de oposições a direitos que nós, enquanto homossexuais, lutamos para ser reconhecidos, como o de casar e o de ter, ou adotar, nossos filhos. Bradam eles que vamos destruir a “família” – mas me pergunto: qualfamília?

Lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais não são alienígenas que caíram de um disco voador. Também não brotam da terra. Temos nossas famílias, nossos pais e mães, parentes – e não é raro que sejamos extremamente dedicados a eles.

Muitas vezes, é uma dedicação imerecida, pois, ao contrário de outros grupos estigmatizados, a família geralmente é o primeiro lugar em que o gay enfrenta o preconceito: escondemos nossos amigos, trocamos mensagens cifradas, inventamos desculpas e eventos que não existem, sofremos calados as decepções amorosas, quase nunca apresentamos nossos namorados, evitamos nos informar sobre DSTs ou tomar conselhos e somos assombrados pelo medo de nossos pais descobrirem, se decepcionarem e nos punirem – o que, muitas vezes, acontece.

Tenho amigos que já passaram por perseguição dentro de sua própria casa, outros foram expulsos, surrados, outros ainda chegaram a ter seus talheres separados. Um quarto grupo, obrigado a fazer terapia. Em comum, essas histórias têm um fato: os pais, via de regra, eram profundamente religiosos e acreditavam agir corretamente para livrarem os filhos do “mal” da homossexualidade.

Diante desse quadro, é até surpreendente que gays e afins ainda tenham tanto amor por suas famílias e o desejo de integração. Meu pai e minha mãe nunca chegaram a esses extremos, mas é fato que, por motivos sociais e religiosos, ainda não estão confortáveis com minha homossexualidade – e, no fim das contas, na minha e em outras famílias, tudo isso atua contra a nossa felicidade e contra os laços que nos unem a nossos parentes.

Quem atua, então, na destruição das famílias, especialmente daquelas com membros homossexuais e afins? Os gays ou as religiões homofóbicas? Creio que a resposta já ficou suficientemente clara.

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Publicado também na revista Sex Boys 62

agosto 17, 2009

ESPAÇO ENTRE HOMENS em 20/08/2009

Quero sexo, vapor, calor
Suor, toalha, peitos nus
Mas também poltrona e plateia,
Debaixo da tela e sem luz"

O Espaço Entre Homens, da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, discute, NO PRÓXIMO DIA 20/08, o tema:

PRAZER COLETIVO: LUZES E VAPORES

Saunas gays e “cinemões”. Dois estabelecimentos a respeito dos quais homens gays não são neutros. Para uns, é puro erotismo, fantasia e aventura. Para outros, lugares de repulsa, falta de higiene, risco à saúde – e você? O que pensa a respeito?

Saunas e cinemas são opostos e similares ao mesmo tempo.

Enquanto, em uma, a claridade, o calor e o desfile sem pudor de corpos seminus ditam as regras; nos outros, o ritmo é dado pela escuridão – cortada por apenas uma fonte de luz – e pelas roupas, que, não raro, informam a origem e a profissão dos frequentadores e são retiradas apenas por breves períodos, nunca de forma completa.

Enquanto as primeiras se destacam pela disseminação em São Paulo, com a inauguração de novos e ousados espaços nos anos recentes e em bairros de elite, os primeiros, que já proliferavam em regiões decadentes, vêm sofrendo contínuas baixas diante de esforços por parte da prefeitura.

Ainda assim, eles têm pontos em comum.

Em ambos, o prazer dificilmente é algo individual, privado, escondido. Mesmo quando a penetração ocorre em espaços reservados, os ensaios, os jogos de sedução e a excitação são vividos em público e, não raro, todo o processo ocorre de forma coletiva, com a participação de terceiros, quartos, quintos ou mais!

Esses lugares, que traduzem, no dia a dia, comportamentos pouco explorados da experiência sexual de homens que fazem sexo com homens, suscitam reflexões e questionamentos.

- Seriam eles espaços libertários, em que a sexualidade encontra uma forma mais pura de expressão?
- Seriam eles lugares de informação e/ou sociabilidade, em que amizades e contatos são travados e contribuem para a inserção de gays que assim se reconheceram recentemente?
- Seriam eles lugares em que se propagam os comportamentos de risco, ou, ao contrário, em que a prática do sexo seguro é observada com mais frequência, inclusive quando comparados a relacionamentos monogâmicos?
- Quem vai, quem usa, quem transa, como, com quem e por quê?

Venha discutir com a gente esses e outros tópicos, com direito a comes e bebes e participação de frequentadores de saunas e cinemões – sem toalhas e sem telonas!

Contamos com sua presença! E, na próxima reunião, continuaremos no tema “Prazer Coletivo”, falando de sex clubs. Aguarde!

Quando?
20/08/2009, às 19h

Onde?
Praça da República, 386 - Sala 22 - Centro
01045-000 - São Paulo, SP
Tel.: (11) 3362-8266

Quem?
Adoradores de vapor, performers de palco-e-tela, garotos de programa, plateia e voyeurs, cidadãos comuns e “de bem”. Bis, tris, gays, unos, trans, homens, mulheres, héteros, lésbicas e qualquer um que queira participar.

Sugestão de Leitura
Para auxiliar na discussão sobre os cinemões: http://www.acapa.com.br/site/noticia.asp?codigo=5481

Sobre o Entre Homens
Gerenciado por Murilo Sarno, o Espaço Entre Homens é uma iniciativa da Associação da Parada do Orgulho GLBT que visa a refletir com o público gay, numa roda de conversa livre e espontânea, temas relacionados ao universo gay masculino. Todos são convidados a participar, e a entrada é franca.

setembro 12, 2009

Entre Homens e iPrEx

Mundo, 1983. Assustada com a incidência de mortes por um tipo raro de câncer, o sarcoma de Kaposi, a população do planeta recebe a notícia do causador de uma nova doença. Denominado vírus da imunodeficiência humana (HIV), um retrovírus, ele ataca as células de defesa do organismo, causando uma síndrome, a Aids, caracterizada pela vulnerabilidade a outras doenças – entre as quais, o sarcoma.

Brasil, 2009. Vinte e seis anos depois que o HIV foi isolado, a Aids tem uma nova cara. Os medicamentenos antirretrovirais (ARVs) tornam o HIV tratável e melhoram consideravelmente a saúde e o tempo de vida dos portadores. A camisinha se tornou a principal estratégia de prevenção à infecção. No entanto, a epidemia, que se espalhou para todos os grupos e países, permanece um desafio. Surgem testes para novos métodos auxiliares de prevenção: circuncisão masculina, géis vaginais. No Brasil, têm início os estudos da iniciativa profilaxia pré-exposição.

Espera aí. Profi... O quê?!

O Espaço Entre Homens, da Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo discute, NO PRÓXIMO DIA 17/09 (quinta-feira), o tema:

Iniciativa profilaxia pré-exposição (iPrEx): tudo que você sempre quis saber, mas não tinha a quem perguntar

Apesar do nome complicado, o iPrEx quer responder uma pergunta simples: será que se pessoas não-portadoras do HIV tomarem antirretrovirais, isso evita ou ajuda a evitar que adquiram o vírus, se tiverem contato com ele? Tomar medicamento antes de um possível contato para prevenir a infecção. É isso que é a "profilaxia pré-exposição" da sigla.

No entanto, para responder essa pergunta, a Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) precisa de 200 voluntários soronegativos na Grande São Paulo dispostos a tomar o medicamento, com o devido acompanhamento médico!

(1) Qual medicamento? O medicamento em teste é o Truvada, um composto de dois elementos (200 mg de emtricitabina e 300 mg de tenofovir). Não se assuste com os nomes complicados. O Truvada é um medicamento seguro, já aprovado para o tratamento do HIV nos EUA e na Europa. Testes realizados com macacos comprovam que uma dose diária de Truvada tomada previamente oferece resistência à infecção de um vírus semelhante ao HIV em 100% dos casos! E um outro estudo, feito na África, mostra que o tenofovir não prejudica a saúde de quem o toma.

(2) Quem pode ser voluntário? Gays e outros homens que fazem sexo com homens (HSHs), travestis e mulheres transexuais (nasceram com órgãos masculinos, mas possuem identidade de gênero feminina) soronegativos.

(3) Por que esse público? Por um motivo simples. Estudos sobre métodos alternativos ou complementares à camisinha para héteros (homens e mulheres biológicos) já existem aos montes! É o caso dos géis vaginais. Como, para gays, HSHs, travestis e mulheres trans, existem poucas opções disponíveis em estudo, decidiu-se que, no iPrEx, sairíamos na frente.

(4) Ganha alguma coisa? Além de contribuir com a ciência e com o sonho de um mundo sem Aids, o voluntário recebe compensação com despesa de transporte, aconselhamento e acompanhamento médico, camisinhas e exames de HIV, hepatites B e C e outras DSTs "na faixa". Também haverá encaminhamentos para tratamentos e para vacinação contra a hepatite B.

(5) Os voluntários serão cobaias? Não. Os estudos clínicos seguem um cronograma rígido, e substâncias só são testadas em seres humanos depois que uma expressiva segurança já foi estabelecida para esse fim em testes de laboratório. Portanto, ninguém vai ser cobaia, não.

Mais dúvidas? Interesse? Medos? Perguntas? Discussões?

Estamos certos que sim. Por isso, venha conversar com a gente no dia 17/09, quando teremos a presença de um representante do iPrEx e de um voluntário que já participa do estudo!

Contamos com sua presença.

Quando? 17/09/2009, quinta-feira, às 19h

Onde? Praça da República, 386 - Sala 22 - Centro 01045-000 - São Paulo, SP Tel.: (11) 3362-8266

Quem? Gays, homens que fazem sexo com homens (bis, héteros, múltis, pans...), travestis, mulheres transexuais e todo mundo que quiser entender e divulgar o iPrEx.

Informações complementares www.iprex.org.br

Sobre o Entre Homens Gerenciado por Murilo Sarno, o Espaço Entre Homens é uma iniciativa da Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo que visa a refletir com o público gay, numa roda de conversa livre e espontânea, temas relacionados ao universo gay masculino. Todos são convidados a participar, e a entrada é franca.

Contato para a imprensa: João Marinho - MTB 42048/SP
jm@joaomarinho.jor.br

abril 3, 2010

Entre Homens do dia 05/04: homens de calcinha

Homens de calcinha é um tema polêmico - e eu não sei muito o porquê. Fetiche por fetiche, esse nem é dos mais "estranhos", digamos assim. Além de ser bem divertido.

É curioso que uma mulher de cuecas – e já existem até as cuecas femininas em lojas de lingerie – passe despercebida, completamente. Uma mulher de cueca é uma mulher de cueca. Um homem de calcinha é algo mais.

Penso que a calcinha e a roupa feminina de uma forma geral têm um simbolismo interessante. Talvez pelo fato de a mulher ter sido dominada por tantos séculos, um homem usar a roupa é como se saísse do pedestal patriarcal que construíram para ele. É uma atitude inesperada, e até corajosa. Enquanto que uma mulher de cuecas – bom, talvez seja um símbolo de "ascensão" e, por isso, ninguém ligue.

De fato, é muito comum observar, nas transas em que se envolvem homens usando lingerie – excetuando-se aqui o caso das crossdressers – uma certa tendência aos jogos de dominação e submissão, quando não com uma dose de humilhação. Acho bárbaro que o Entre Homens discuta o assunto – e outros temas correlatos, como homens que dão o c... para suas mulheres – no próximo dia 05/04.

Confiram o release, até para me dar um crédito pela arte. Toda delicada, em tons de rosa bebê e azul calcinha: tirei as fotos das calcinhas na parte superior, tratei no Photoshop e também peguei a foto do homem usando a dita-cuja na internet e tratei pra ficar cor de rosa. Não ficou show?

PS: também já escrevi sobre o assunto para A Capa.

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