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maio 2010 ::: arquivo

maio 4, 2010

Jornada de debates e filmes do iPrEx

Alguns sabem, outros não... Mas eu apoio o iPrEx, a Iniciativa Profilaxia Pré-Exposição. Sou membro da CAC, a comissão responsável por fazer a interface entre o estudo e a comunidade gay.

Tá, eu sei, falei grego.

Começando do começo... O iPrEx é um estudo conduzido, no Brasil, pela Faculdade de Medicina da USP, que busca responder uma pergunta simples: tomar um medicamento antirretroviral, já usado no exterior para o tratamento de HIV/Aids, evita que uma pessoa que não tenha o HIV o adquira?

Minha aposta: sim. Afinal, mãe soropositiva e filho soronegativo trocam fluidos por 9 meses, e os remédios contra o HIV conseguem evitar, com 98% de eficácia, que a infecção atinja o filho.

Mesmo assim, é lógico que isso é insuficiente para bater o martelo no assunto. É preciso haver uma pesquisa científica séria, com voluntários – e é isso que é o iPrEx.

A iniciativa também é importante porque é um dos poucos estudos que oferece a possibilidade de uma alternativa complementar à camisinha na proteção ao HIV para gays e afins – para os héteros, já estão em estudo géis vaginais e a circuncisão, por exemplo.

E precisa? Precisa.

A camisinha provavelmente seguirá, ainda por muito tempo, como o meio mais efetivo e eficaz de evitar a infecção pelo HIV. No entanto, a verdade é que existem pessoas que não usam, ou resistem a usar – além daqueles que usam, mas, por vez ou outra, acabam derrapando.

Ter alternativas é interessante, inclusiva para os casais sorodiscordantes, que queiram não apenas aumentar a intimidade, como também, especialmente no caso dos héteros, constituir família biológica – e fertilização in vitro e lavagem de esperma não são propriamente alternativas baratas.

Para esclarecer dúvidas sobre si mesmo, além de divulgar informações sobre o si mesmo, o iPrEx promoverá uma jornada de filmes e debates, que deu origem a este post. O convite está abaixo. Vale a pena participar.

Mais sobre o iPrEx, numa reportagem de Thais Iervolino para a revista Sex Boys.

maio 10, 2010

Resposta a Alexandre Garcia

Antes de me formar jornalista, eu era fã de Alexandre Garcia e de seus comentários políticos. Depois que me formei, a admiração diminuiu – mas, entre algumas escorregadas aqui e ali, ainda vejo que ele até dá umas boas tiradas.

Agora, quando sai da área política para ir a áreas em que não domina, como a saúde (a área em que mais atuo, aliada a Comportamento), desculpem o linguajar, pra fazer merda, é um pulo. No comentário do "Mais Brasília", quadro da rádio CBN, Alexandre Garcia destilou preconceito e desinformação ao se referir aos portadores do HIV que querem constituir família biológica e ao criticar, do alto de sua ignorância, as diretrizes do Ministério da Saúde que contemplam mulheres portadoras que querem engravidar e seus parceiros.

Este blog é um blog gay, que também respeita o direito dos soropositivos gays - mas, diante de qualquer discriminação e preconceito dessa magnitude - este, inclusive, que atinge, vejam só, os soropositivos heterossexuais - não dá pra ficar calado.

Segue abaixo a nota redigida pelo Ministério da Saúde e da qual não se retira uma vírgula - e vale dizer: conheço uma mulher soropositiva há 15 anos que tem duas filhas lindas e um marido dedicado, todos soronegativos, que comprovam que jornalista, que tem o dever de informar, deveria SE informar antes de sair dando pataquada...

Sobre a escorregada de Alexandre Garcia: www.viomundo.com.br/voce-escreve/o-repudio-as-declaracoes-de-alexandre-garcia.html
Escute o áudio: cbn.globoradio.globo.com/colunas/mais-brasilia/MAIS-BRASILIA.htm

Ministério da Saúde: ”Lástima e retrocesso para o jornalismo brasileiro”
MINISTÉRIO DA SAÚDE
Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais
08/05/2010


NOTA DE ESCLARECIMENTO

Em relação à edição desta sexta-feira (7 de maio) do Boletim “Mais Brasília”, com Alexandre Garcia (07/05), o Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde contesta e esclarece as seguintes informações:

1. A infecção pelo HIV não restringe os direitos sexuais nem os direitos reprodutivos dos cidadãos. Como o próprio Alexandre Garcia afirmou na sua coluna, “a saúde é direito de todos e dever do Estado”. Não permitir que pessoas que tem HIV/aids tenham filhos é tirar delas o direito à cidadania. Negar isso é violar os direitos humanos fundamentais.

2. É a segunda vez que o jornalista discrimina as pessoas que vivem com HIV/aids em suas declarações. Uma lástima e um retrocesso para o jornalismo brasileiro. A primeira vez pressupõe desinformação, a segunda é uma clara demonstração de preconceito. Com o avanço da terapia antirretroviral no Brasil, há comprovado aumento da sobrevida e melhora significativa na qualidade de vida dos soropositivos. O diagnóstico não é mais uma sentença de morte. Pelo contrário, essas pessoas hoje fazem planos, querem casar e constituir família.

3. A afirmação de que o Ministério da Saúde está estimulando pessoas com HIV a engravidarem é equivocada. A decisão de constituir família é pessoal. No caso das pessoas que vivem com HIV, o Ministério da Saúde deve fornecer informações que possibilitem ao profissional de saúde orientar cada pessoa que deseje ter filhos com as informações mais precisas – sempre embasadas na melhor evidência científica disponível. Países como a Itália e a Inglaterra publicaram, recentemente, recomendações semelhantes. Os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) precisam saber sobre os métodos e riscos envolvidos nessa decisão, pois eles possuem esse direito – se assim desejarem – e já o fazem. Não cabe ao governo interferir no desejo da mulher de ter ou não filhos, mas sim permitir que essas mulheres que querem ser mães tenham seus filhos nas condições mais seguras para elas, para seus parceiros e para seus futuros bebês. Isso não é uma novidade. Em 2008, por exemplo, 3 mil mulheres sabidamente soropositivas engravidaram, comprovando essa realidade. O que se percebe na fala do jornalista é um preconceito descabido e uma desinformação que não condiz com o veículo sério do qual ele é porta-voz.

4. Desde meados da década de 1990, seguindo padrões internacionalmente estabelecidos, o Ministério da Saúde dispõe de um conjunto de diretrizes para prevenção da transmissão vertical do HIV. Essas medidas buscam a promoção dos direitos sexuais e reprodutivos de brasileiros e brasileiras. Estudos nacionais e internacionais comprovam que, quando todas as medidas preventivas são tomadas – uso de medicação antirretroviral durante pré-natal e parto, inibição da lactação e tratamento do bebê por seis semanas – a chance de transmissão do HIV da mãe para o bebê é reduzida para menos de 1%. Ao afirmar que a iniciativa “é uma maluquice”, o jornalista demonstra desconhecer os avanços científicos que reduzem a possibilidade de transmissão do HIV para o filho. O comentarista também deveria saber que o simples fato de “respingar sangue” de uma mulher infectada pelo HIV, durante o parto, não é suficiente para que ocorra transmissão do vírus. O controle da infecção em ambientes hospitalares pressupõe rotinas com precauções universais, não só em relação ao HIV, mas também no que se refere a outras doenças. Além disso, vários artigos científicos sobre o assunto foram publicados recentemente, mostrando a correlação entre transmissibilidade do HIV quando a carga viral é indetectável no sangue, no esperma e nos fluidos vaginais. Tais estudos tornam mais claros os riscos, dependendo da situação clínica de cada indivíduo.

5. Reduzir o número de crianças infectadas pela transmissão vertical, como vem acontecendo no Brasil, tem sido um avanço. O Ministério da Saúde conta com o apoio da emissora para dar à população a informação correta, sem preconceitos, de forma inclusiva, permitindo que essas pessoas exerçam a sua cidadania. Uma declaração discriminatória, como feita pela jornalista Alexandre Garcia, traz um enorme prejuízo para as pessoas que vivem com HIV/aids.

Atenciosamente,

Mariângela Simão
Diretora do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde

maio 28, 2010

Contabilidade

Um segundo de prazer
Oitocentos de pesar

Nove horas sem comer
Onze dias sem beijar

Dez minutos pra ferir
Duas luas de tristeza

Quinze dias sem sorrir
Cinco meses de pobreza

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