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agosto 2009 ::: arquivo

agosto 2, 2009

Refém por um mês do trabalho...

Não tive tempo de vir aqui e atualizar, mas vim hoje hehehe, e com um convite. Leiam o release abaixo. Estão tod@s convidad@s!


"Gosto de sexo, eu não vou negar
Gosto de cama, não vivo sem ela
Gosto de pornô, de atores bombando
Cenas pre-condom, cavalo sem sela"


O Espaço Entre Homens, da Associação da Parada do Orgulho LGBT discute, NO PRÓXIMO DIA 06/08, o tema:

BAREBACK e CINEMA PORNÔ: O IMPACTO NO COMPORTAMENTO GAY

'Bareback' é uma palavra que, em inglês, significa originalmente cavalgar sem sela.
Mais recentemente, foi adotada pelos gays para se referir a um conjunto de pessoas que têm fetiche por sexo sem camisinha e não levam em conta o risco de infecção por DST/Aids, ou mesmo utilizam essa probabilidade como um 'tempero a mais' – mas terminou adquirindo um terceiro significado: virou gíria e tem sido usada para se referir a qualquer sexo sem camisinha.
Com esse último significado, 'bareback' foi adotado pela indústria do pornô gay: filmes gays bareback = filmes gays sem camisinha.

Desde o início da epidemia de HIV, o cinema pornô gay, ao contrário do heterossexual - que permanece refratário até hoje -, logo adotou a camisinha como padrão em suas cenas. Os filmes anteriores a isso ficaram conhecidos como 'pre-condom' (pré-camisinha).

Os maiores estúdios e principais produtores , como Titan, Falcon, ChiChi LaRue, BelAmi, Colt e Lucas Entertainment, que constituem o que chamamos de "indústria mainstream" mantêm a estratégia do sexo seguro até hoje. O mesmo é seguido pelas produtoras nacionais.

No entanto, de uns anos para cá, produções com características mais amadoras, geralmente gravadas no Leste Europeu e distribuídas sobretudo pela internet, trouxeram uma nova onda ao cinema pornô gay: são os filmes bareback, que, a exemplo das produções mainstream heterossexuais, não usam camisinha.

Inicialmente marginais, esses filmes têm crescido em número e conquistado um público cada vez maior, a ponto de fazer frente aos maiores estúdios – e, dizem os especialistas, de dominar o mercado nos próximos anos!

E agora?

A maior vulnerabilidade dos gays ao HIV é conhecida.

- Seriam esses filmes uma resposta a uma demanda de público, que se queixa(va) de não ter produções mostrando sexo sem camisinha, como os heterossexuais sempre tiveram?

- Será que eles estimulam o comportamento de risco na vida real?

- É uma estratégia comercial ou uma irresponsabilidade social?

- Por que causam mais polêmica que os filmes héteros, indústria em que praticamente todos os filmes são bareback?


Venha discutir com a gente esses e outros tópicos, com direito a comes e bebes, fotos e análises de atores pornôs característicos de cada período (anos 70 até os dias de hoje) e... Trechos de filmes!

Contamos com sua presença!

Quando?
quinta, 06/08/2009, às 19h

Onde?

Praça da República, 386 - Sala 22 - Centro
01045-000 - São Paulo, SP
Tel.: (11) 3362-8266

Quem?

Homens gays, bis, trans, múlti, pans, uni... Mulheres, travestis, héteros... Todos são bem-vindos!
O convidado especial é João Marinho, editor da revista Sex Boys, com 5 anos de experiência no mercado erótico nacional, e apreciador inveterado de filmes pornôs.

Sobre o Entre Homens
Gerenciado por Murilo Sarno, o Espaço Entre Homens é uma iniciativa da Associação da Parada do Orgulho GLBT que visa a refletir com o público gay, numa roda de conversa livre e espontânea, temas relacionados ao universo gay masculino. Todos são convidados a participar, e a entrada é franca.

Contato para a imprensa:
João Marinho - MTB 42048/SP
joaomarinho@uol.com.br

agosto 3, 2009

Entenda o caso Rozangela Justino

6 perguntas importantes sobre o julgamento que manteve a censura pública à psicóloga que diz "resgatar" gays para a heterossexualidade

1. A pena de Rozangela Justino foi branda?
Não. Na verdade, a questão não é se a pena foi branda ou não foi. A questão é que a censura pública era a única pena cabível no julgamento pelo CFP (Conselho Federal de Psicologia). Por quê? Continue lendo.

2. De onde surgiu a sentença de censura pública?
Levantamentos feitos por colaboradores da ABGLT (Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais) demonstram que o processo que originou a sentença de censura pública foi o movido, em 2003, pelo sr. Eugênio Ibipiano, do Grupo 28 de Junho.

Segundo consta, em 2003, Eugênio Ibipiano fez uma representação contra Rozangela Justino no Conselho de Ética do Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro (CRP-RJ), no qual ela se encontra filiada como profissional. O motivo foi o fato de a psicóloga ter se apresentado em programas de tevê afirmando que a homossexualidade era um desvio.

Posteriormente, em 2007, foi divulgado pelo próprio Ibipiano, em listas de militância gay, o resultado do processo: a penalidade de CENSURA contra Rozangela Justino. Também foi informado que Justino havia recorrido desse resultado.

Infelizmente, o contato com Eugênio Ibipiano não se encontra disponível atualmente, de maneira que nossas informações se limitam a estas por enquanto. Mesmo porque, como a representação é algo sigilosa, somente as partes envolvidas têm acesso aos autos.

A lógica, porém, nos permite concluir que o julgamento feito pelo CFP em 31/07/2009, que tratava justamente de reverter ou não a pena de censura que pesa contra Rozangela, foi precisamente o desse recurso impetrado pela psicóloga para anular o resultado do julgamento em primeira instância da representação feita em 2003.

Como não há notícia de qualquer recurso interposto por Eugênio Ibipiano, pelo Grupo 28 de junho, ou outra pessoa que tenha feito parte daquela representação, a fim de agravar a pena imposta a Rozangela Justino em 2007, o único recurso a ser analisado era o dela, de reverter a pena.

Logo, dentro do princípio de proibição ao reformatio in pejus (reforma para pior), que veta que um recurso interposto por alguém reverta em pena pior para este mesmo alguém, o CFP só tinha duas decisões possíveis: manter a pena de censura contra Rozangela, ou diminuí-la. A decisão foi pela primeira alternativa, como vimos.

3. Rozangela podia perder o registro profissional?

Parte da imprensa divulgou isso, mas, dentro desta ação, a resposta é não. Isso só poderia acontecer se houvesse um recurso por parte do reclamante para agravar a pena, o que não era o caso, como vimos. O CFP não podia piorar a pena, em um recurso movido pela própria ré.

4. Mas ela ainda pode perder o registro?
Pode, mas agora só a partir de outras representações feitas contra ela. Existe, por exemplo, uma representação de autoria da ABGLT, aberta em 2007, no CRP-RJ. Aliás, essa coincidência de datas entre a abertura da representação movida pela ABGLT e o julgamento da representação de Eugênio Ibipiano fez com que parte da militância e dos gays considerasse que a pena aplicada contra Rozangela fosse resultado da ação da ABGLT. Não foi.

A representação da ABGLT, que tem bases distintas da de Eugênio Ibipiano e contou com o envio de textos de autoria de Rozangela Justino e com a assinatura de dezenas psicólogos do CRP-RJ e de outros Conselhos Regionais em todo o Brasil, continua à espera para análise no CRP-RJ e, portanto, ainda não foi julgada.

Talvez fosse interessante outras entidades verificarem a possibilidade de fazer novas representações contra Rozangela Justino. Afinal, as penas para processos do tipo são graduais – e, ao que parece, Rozangela Justino continua em sua tentativa de "curar gays", uma vez que a repórter do jornal Folha de S. Paulo, por exemplo, conseguiu marcar uma consulta.

5. A pena confirmada pelo CFP é irreversível? Ela vai ser censurada agora, de vez?
Em relação à ação de Eugênio Ibipiano, a pena confirmada pelo CFP significa que, dentro dos Conselhos Regionais e Federal, Rozangela Justino não possui mais recursos. No entanto, Rozangela Justino ainda tem outros recursos à disposição: como seu advogado mesmo anunciou, ela pode (e deverá) recorrer à Justiça federal contra a decisão do CFP. Nesse caso, o processo passa para a justiça comum e segue seus trâmites próprios, ou seja, a guerra ainda não acabou.

Uma outra possibilidade é que a resolução CFP 01/99, que proíbe aos psicólogos promoverem uma "cura" da homossexualidade, que não existe até porque ela não é doença, seja tornada sem efeito. Esta é a resolução que embasa os processos contra Rozangela.

Essa possibilidade existe? Infelizmente, sim. O deputado federal Coronel Paes de Lira, do PTC de São Paulo, que assumiu a cadeira de Clodovil Hernandez após a morte deste, protocolou na Câmara dos Deputados um projeto de lei que propõe justamente a revogação da resolução CFP 01/99.

Caso o projeto seja aprovado, não apenas Rozangela, mas qualquer outro psicólogo poderá promover tais "curas", levando ao sofrimento de milhares de gays brasileiros, além de permitir toda sorte de charlatanismo e a promoção de dogmas religiosos anacrônicos com vestes de ciência moderna. É um projeto perigoso, que requer a atenção do movimento gay e de qualquer pessoa de bem e contra o preconceito, no sentido de debelá-lo.

6. Censurar Rozangela Justino não é um atentado à liberdade de expressão? Ela não deveria poder dizer e divulgar o que quer?

Este é o argumento da psicóloga, mas é um argumento distorcido.

Em primeiro lugar, a verdade é que não existe liberdade de expressão ilimitada - esse direito é limitado precisamente pelo direito do outro, e requer uma dose de responsabilidade: você até pode exprimir o que quer, mas o outro também tem o direito de reclamar uma ofensa na Justiça, e pode eventualmente ganhar a ação.

Além disso, no que tange às profissões regulamentadas, como a de psicólogo, a responsabilidade aumenta.

Tais profissões, pautadas pela ciência, não podem permitir o charlatanismo. Um médico não pode, por exemplo, oferecer um "tratamento milagroso e certo" para uma doença incurável, nem um farmacêutico ou químico atribuir a substâncias propriedades que elas não possuem, ou um engenheiro prometer que um material tem uma resistência que não é sustentada por dados empíricos. O psicólogo, que trabalha com a saúde mental, deve ter a mesma preocupação, e é sobre isso que se assentam as decisões contra Rozangela Justino.

Ademais, a pena do CRP-RJ, confirmada pelo CFP, não cassa o direito de liberdade de expressão de Rozangela Justino garantido pela Constituição de 1988. Ela veta determinadas ações dela enquanto profissional de psicologia.

Como cidadã, Rozangela pode continuar dizendo o que quiser dos homossexuais - todas as barbaridades que costumeiramente diz -, sendo, se for o caso, chamada à responsabilidade se algum ofendido acionar a Justiça.

O que ela não pode é, enquanto psicóloga, agir em desacordo com os preceitos éticos de sua profissão e oferecer aos pacientes intervenções questionáveis que não encontram fundamento científico-empírico suficiente. Não só psicólogo, mas qualquer outro profissional que age de tal forma irresponsável necessita arcar com as penalidades cabíveis, ou, no limite, deixar de seguir aquela profissão e se tornar outra coisa.


Comentário: alguns amigos me informaram que, em seu blog, Rozangela Justino "comemora" a decisão do CFP de manter a censura pública.

Como, por vezes, me abstenho de má leitura, não posso confirmar - mas, se for verdade, tal comportamento apenas revelaria o quanto essa gente é perigosa.

Isso porque o discurso de "ainda bem, o CFP 'só' ficou com a pena de censura" é uma verdadeira cortina de fumaça - passa a impressão de que o CFP poderia decidir por uma pena mais severa, mas não o fez "por obra de Deus", porque Rozangela tem "embasamento científico", ou qualquer outra argumentação do tipo, e que, portanto, a "pena branda" teria sido uma vitória.

No entanto, como vimos, o CFP não podia aumentar a pena. Dessa forma, o fato de todos os conselheiros terem votado, de forma unânime, para a manutenção da censura não foi uma vitória, mas uma derrota para Rozangela Justino.

Com essa decisão, o CFP acena que entende que o CRP-RJ agiu corretamente em impor a censura pública à psicóloga. CRP-RJ que, por sua vez, vale lembrar, tomou tal decisão diante da fundamentação da ação de Eugênio Ibipiano. Em suma, o que sobra é: os Conselhos sinalizam que entendem que existe, sim, um problema ético na prática da dita psicóloga...

Tomemos, portanto, cuidado com os discursos de pessoas dessa estirpe. Evangélicos fundamentalistas, sobretudo, são muito eficientes em distorcer fatos para parecer que eles são perseguidos e alcançam "vitória em Cristo", quando, na verdade, são eles os opressores e passíveis de receber, com justiça, a paga por espalhar o preconceito e a discriminação contra aqueles que deveriam ser seus irmãos em humanidade, numa atitude incompatível com o ideal de amor e justiça que dizem pregar em conformidade com Cristo.

agosto 10, 2009

Gays em família

Uma simples mudança de perspectiva mostra que são as religiões homofóbicas, e não a homossexualidade, os verdadeiros vilões por trás da famigerada “destruição” do núcleo familiar.

Escrevo estas linhas pouco depois do Dia dos Pais. Como muitos que ainda têm a sorte de ter um pai, um pai vivo e um bom pai – nem sempre é possível ter tudo isso, e, para quem não tem, admito que o dia não tenha a menor relevância –, passei-o com o meu, em um jantar em família.

No meu caso, essa tradição ganha uma maior importância, já que não sou um indivíduo “muito família”. Vejo a noção que temos sobre essa “entidade” um tanto quanto artificial. Artificial, mas construída de forma a ter uma cara natural e fundamental, como se o “modelito nuclear” (pai, mãe e filhos) fosse o único capaz de garantir carinho, proteção e indivíduos saudáveis. Coisa que, basta uma olhada na história e mesmo nos dias de hoje, se revela falsa.

Isso, porém, não significa que não valorize o fato de ter uma família. Apenas que minha noção a respeito dela, que passa primordialmente pelo afeto – não acredito que o “sangue” seja, por si só, um elemento agregador – é diferente, e me permito o direito de exigir que o meu conceito seja também respeitado. Afinal, é por ele que pauto toda a atenção que dispenso a meus pais e minhas irmãs.

No entanto, na esfera pública, a atitude de respeito às diferenças entre as famílias e entre os conceitos de família é rara, especialmente quando analisamos o comportamento dos religiosos, notadamente evangélicos e católicos, mais fundamentalistas.

Para eles, existe só um tipo de família: a nuclear, e, em cima disso, justificam uma série de oposições a direitos que nós, enquanto homossexuais, lutamos para ser reconhecidos, como o de casar e o de ter, ou adotar, nossos filhos. Bradam eles que vamos destruir a “família” – mas me pergunto: qualfamília?

Lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais não são alienígenas que caíram de um disco voador. Também não brotam da terra. Temos nossas famílias, nossos pais e mães, parentes – e não é raro que sejamos extremamente dedicados a eles.

Muitas vezes, é uma dedicação imerecida, pois, ao contrário de outros grupos estigmatizados, a família geralmente é o primeiro lugar em que o gay enfrenta o preconceito: escondemos nossos amigos, trocamos mensagens cifradas, inventamos desculpas e eventos que não existem, sofremos calados as decepções amorosas, quase nunca apresentamos nossos namorados, evitamos nos informar sobre DSTs ou tomar conselhos e somos assombrados pelo medo de nossos pais descobrirem, se decepcionarem e nos punirem – o que, muitas vezes, acontece.

Tenho amigos que já passaram por perseguição dentro de sua própria casa, outros foram expulsos, surrados, outros ainda chegaram a ter seus talheres separados. Um quarto grupo, obrigado a fazer terapia. Em comum, essas histórias têm um fato: os pais, via de regra, eram profundamente religiosos e acreditavam agir corretamente para livrarem os filhos do “mal” da homossexualidade.

Diante desse quadro, é até surpreendente que gays e afins ainda tenham tanto amor por suas famílias e o desejo de integração. Meu pai e minha mãe nunca chegaram a esses extremos, mas é fato que, por motivos sociais e religiosos, ainda não estão confortáveis com minha homossexualidade – e, no fim das contas, na minha e em outras famílias, tudo isso atua contra a nossa felicidade e contra os laços que nos unem a nossos parentes.

Quem atua, então, na destruição das famílias, especialmente daquelas com membros homossexuais e afins? Os gays ou as religiões homofóbicas? Creio que a resposta já ficou suficientemente clara.

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Publicado também na revista Sex Boys 62

Uma tirinha pra descontrair


E você, o que faria diante do negão?

agosto 11, 2009

Homofobia terapêutica

Rozangela JustinoRozangela Justino é um nome que o leitor jamais deveria ouvir falar – mas quis o destino que fosse assim. Evangélica, psicóloga e agora submetida à censura pública pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) em 31/07/2009, ela se dedica a "curar" homossexuais, embora, com esperteza, evite a palavra "doença" e afirme apenas "tratar" gays em conflito com seus valores.

Sabemos que esses conflitos existem. No entanto, em vez de buscar a razão por trás deles e tornar a pessoa agente de sua própria vida, Justino vai na contramão: por que ajudá-la a solucionar a situação? Melhor formatá-la à "sociedade".

Já vimos esse filme.

Por décadas, gays foram cobaias de todos os procedimentos possíveis e imagináveis de "reorientação sexual", inclusive alguns bárbaros, como a emasculação.

Os resultados, confirmados recentemente pela APA (American Psychological Association): questionáveis e duvidosos, somados a grande sofrimento por parte da maioria. Ora, mesmo que a "reorientação" existisse, seria ético fornecer um "tratamento" cujos custos não sustentam os "benefícios"? E por que apenas se defende a reorientação para gays, mas nunca para os héteros?

A resposta é óbvia: porque, misturando religião e psicologia, Justino e sua trupe consideram que a homossexualidade tem um erro fundamental, e isso, que se constitui em um julgamento moral a priori, não tem base científica, mas religiosa. Portanto, fique esperto: parece terapia, mas é homofobia.

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Editorial de minha autoria publicado na revista Sex Boys 62. Acima, a foto de Rozangela Justino sem maquiagem, óculos escuros e peruca. Ela tem saído disfarçada para criar um factoide, como se estivesse ameaçada por alguma "milícia gay" ou "brigada cor-de-rosa", algo que efetivamente não existe.

agosto 12, 2009

Você se lembra dessa abertura?

Duas coisas impensáveis na abertura da novela Brega & Chique se fosse feita hoje em dia: uma mulher fumando e um homem nu no final (aliás, que homem!). Mas nem tudo eram flores naquele distante 1987. Pouco depois, arroubos moralistas impuseram uma folhinha verde na bunda do moço. Ainda bem que existe a abertura original no YouTube, hehehe!

Ah, sim, o pelado do final é o então modelo Vinícius Manne, que ainda pode ser visto na telinha vez ou outra trabalhando como ator (ele esteve, por exemplo, em Páginas da Vida e Sete Pecados) - e vale dizer: tornou-se um maduro delicioso o ragazzo, não? Eu pegava, ontem e hoje...


Vinícius Manne


agosto 13, 2009

O nazismo de Rozangela Justino

Não vejo nenhum homossexual trabalhando pela destruição da família como tanto gostam de acusar os fundamentalistas religiosos! Ao contrário, vejo homossexuais lutando pelo direito de se unirem diante da lei, pela adoção de crianças abandonadas por heterossexuais a fim de lhes proporcionarem uma vida saudável, familiar, digna e honesta. Vejo homossexuais lutando por constituírem suas famílias e lutando pelo direito à igualdade diante da lei que lhes é negada pelo trabalho perverso de legisladores que professam uma fé tão pervertida quanto à de Rozângela Justino. Vejo homossexuais lutando pelo direito de existir, tendo sempre que fazer frente ao desejo sombrio, este sim nazista, de eliminá-los, de silenciá-los. Não vejo homossexuais tentando reverter a sexualidade de nenhum outro ser humano, mas lutando legitimamente pelo pleno direito de ser quem é.

Que delícia ler esta argumentação de Márcio Retamero no site A Capa, no artigo que fala sobre o "nazismo" de Rozangela Justino. Leiam-no. Vale a pena! Me senti com a alma lavada.

agosto 16, 2009

Anatomia do ciúme

Relacionado ao valor que damos a nós mesmos, o ciúme pode ser um sentimento natural, de proteção do indivíduo e da personalidade, mas está longe de ser o tempero do amor.

por João Marinho

Tudo começou quando ele ligou para o namorado pela manhã. “Bom dia, meu amor, tudo bem?”. A resposta veio cortante, afiada: “quem é aquele Walter que escreveu no seu orkut, hein?!”. “Ei, calma! De que Walter você fala?”. “Aquele lá, do ‘adorei te conhecer’”, disse o bravo namorado, resmungando e possivelmente fazendo caretas do outro lado da linha. Bastaram alguns minutos para um bom dia apaixonado se converter em discussão.

Embora com outras cores, a maior parte de vocês, leitores, certamente já esteve em situação semelhante, no telefone, na internet ou ao vivo. Afinal, é muito raro que o amor venha desacompanhado daquilo que alguns dizem ser seu tempero, mas que, em excesso, também pode naufragar um relacionamento: o ciúme.

Pensar sobre o ciúme sempre foi um desafio para mim, pois não sou uma pessoa particularmente ciumenta. Meus amigos diziam, sobre um de meus ex-namorados, que eu “não gostava dele de verdade” por não ser ciumento – coisa que, evidentemente era falsa, como mesmo ele pode atestar.

No entanto, mesmo ele, certa vez, desabafou: “acho um absurdo você não ter ciúmes de mim”. Eu mal pude responder, pois, para mim, tudo se resumia na equação: se ele quiser, vai fazer; se não quiser, não vai – e se fizer, também não é isso que necessariamente vá acabar nossa relação. Fazer o quê? Transar com outra pessoa, claro, ou “trair”, diríamos no senso comum.

Isso nos leva para a primeira conclusão que extraio sobre o ciúme, de uma série de conclusões que este artigo, escrito a partir das reflexões pessoais de um simples jornalista, pretende jogar para a reflexão do leitor: a “traição” é a irmã do ciúme.

Escrevo “traição” assim, entre aspas, porque a definição é aberta. Cada pessoa tem ou pode ter uma noção particular do que é trair. É um assunto a ser conversado em outra oportunidade, mas resta um fato sobre ele: qualquer que seja o conceito que cada um tenha de traição, existe um medo visceral de enfrentá-la – e esse medo é combustível do ciúme.

O ciúme, portanto, não é o “tempero do amor”. Quando falamos de namoro, ou casamento, o verdadeiro combustível do ciúme não é o medo de “perder a pessoa porque se ama”, mas de ser traído por essa pessoa e enfrentar o turbilhão de acontecimentos a partir daí.

Mesmo que eventualmente se perca a pessoa e esse medo apareça, o sentimento que vem em primeiro lugar é o desconforto de poder ser traído em sua confiança, humilhado, de ser ferido/a em seu orgulho, de ser “feito de idiota” ou “passado para trás”. O ciúme tem mais a ver conosco do que com o outro.

Além disso, existe um tipo particular de ciúme que é o ciúme de quem não se ama. É mais raro, mas existe e se realiza no que eu e uma minha amiga certa vez definimos maldosamente como “capacho”.

Certamente, você já viu uma situação de “capachatez”, e, sem querer ser sexista, mas é o que me diz minha experiência cotidiana, me parece mais comum que a mulher submeta um homem a ela.

O “capacho” é aquele rapaz que endeusa uma mulher. Adora mesmo: só falta beijar o chão que ela pisa. Vive cercando a dita-cuja, mendigando migalhas de atenção, tentando conquistá-la e, às vezes, sendo vítima de pequenas humilhações que, para ele, passam (quase) despercebidas.

A mulher em questão usualmente não quer nada com o “capacho”. Ele até a incomoda com seu assédio – mas ela o mantém ali, subserviente, seja porque faz bem para o ego ter alguém que endeuse, seja porque ele faz pequeninas coisas que a ajudam, seja por simples divertimento.

No entanto, chega o dia em que o “capacho” conhece um outro alguém, como diz a música. Ele se apaixona, essa nova mulher lhe dá valor e atenção, e ele deixa sua deusa de lado – e, de repente, vemos essa deusa, que nada queria com ele, muitas vezes não gostava dele e até se incomodava com ele... Enciumada! Troque o sexo, porque existem muitos “capachos” héteros femininos, gays e lésbicos também, mas o fim da história costuma ser idêntico.

O ciúme também se manifesta em relação a coisas. Será que você gosta de ver sua camisa preferida enfeitando o irmão mais novo? Quem não fica incomodado quando pegam “emprestado” aquele livro preferido? Ou deixam empoeirar aquele sapato maravilhoso? Quem não tem uma situação semelhante para contar?

Tudo isso nos leva a um dado sobre o ciúme. Ele não é o tempero do amor, ele também existe em relação a quem não se ama e em relação a objetos – mas ele sempre aparece em relação a algo que se preze.

Mesmo no caso do “capacho”, a deusa, ou o deus, não quer saber do “capacho”, mas existe algo de que ela/ele gosta: toda aquela atenção e dedicação fazem bem. É agradável, é divertido. É algo que se preza.

De fato, não parece ser possível ter ciúmes de algo que nos faz mal, se temos plena consciência desse mal e/ou ele não é compensado por coisas agradáveis. Emprestando uma linguagem da análise do comportamento, o ciúme surge sempre em relação a algo que nos reforça positivamente.

No entanto, aqui é necessário fazer um ajuste. Afinal, não se tem ciúme do “capacho” porque ele vai se relacionar sexualmente com outra pessoa. Como o ciúme também acontece entre amigos, vale a mesma observação, e também não é possível ser “traído” por objetos, ou ainda bichos de estimação. Ainda não. Por isso, eu disse, lá no início, quanto à traição: “quando falamos de namoro ou casamento...”.

Então, qual o verdadeiro combustível do ciúme? A resposta está na intersecção entre o medo da traição do namorado, o desconforto de ter um amigo dando mais atenção a outra pessoa, ou o receio de ver suas coisas manchadas, rasgadas, malcuidadas.

Ciúme tem a ver com receio de sermos atingidos naquilo que prezamos e que se constitui parte de nossa autoimagem e, portanto, de nossa autoestima. Nós construímos nossa autoimagem e nossa autoestima a partir de nossos relacionamentos, da maneira que nos vestimos, das coisas que usamos, dos livros que lemos, das filosofias que adotamos.

Se você pensar bem, é no receio de ser atingido em alguma dessas coisas que você preza que o ciúme se manifesta como estratégia de defesa. E não é para menos: ser traído, ter um amigo que prefere outra companhia, usar um sapato rasgado ou camisa manchada, ver o autor que lhe ensinou a pensar em um livro com páginas a menos são coisas que depõem contra o valor que você dá a si mesmo.

No caso específico dos relacionamentos humanos, é como se o outro fizesse pouco caso de uma parte sua que você considera importante e depositou nele. Como já dito, o ciúme tem mais a ver conosco que com o outro: sua autoimagem, sua autoestima. Você sente ciúme porque se sente, ou tem medo de se sentir, desvalorizado. Não por medo de perder o outro.

Mas será que todo ciúme é igual? Certamente que não. O ciúme tem sempre um combustível, uma motivação fundamental, que acabamos de esclarecer – mas se manifesta de maneiras diversas em relação ao que denomino objeto primário e objeto secundário.

O objeto primário não tem mistério. É aquela pessoa ou objeto que nos traz o que prezamos: o foco do nosso ciúme. E o secundário? Ele se revela quando um terceiro, visto como ameaça, se aproxima.

É aquele ex-namorado do seu namorado, o primo que disputa a atenção da tia predileta, o irmão que usa suas roupas ou o garanhão, ou a gostosa, da balada – e ganha relevância quando uma situação desencadeadora se apresenta.

Com efeito, não é comum sentir ciúme todo o tempo: precisa haver uma situação concreta para ele aparecer a primeira vez pelo menos, uma situação em que se perceba a ameaça, mesmo que seja apenas uma olhadinha por parte da ou para a pessoa amada.

Posteriormente, as contingências de reforço (negativo) – apelando novamente para o linguajar comportamentalista – se encarregam de ver o objeto secundário sempre como ameaça, até o ponto em que a simples presença dele já é suficiente para causar mal-estar. É principalmente nessa fase em que o motivador fundamental do ciúme se mascara. Aí, parece que é o medo de perder a pessoa amada, mas não é bem assim.

Finalmente, o ciúme vai requerer uma punição. É preciso justiça. Alguém tem de pagar. É onde ocorre a explosão que abre este artigo no telefone, a cara fechada de quem engoliu seco a noite toda, o soco no rosto do garanhão abusado.

Motivação fundamental ligada à autoimagem e autoestima, objeto primário, objeto secundário, situação desencadeadora e exigência de punição. Eis a anatomia do ciúme. Você concorda com isso?

Fica aqui mais um item para reflexão. A quem punir? Animais também têm ciúme, o que, para mim, põe o ciúme no âmbito das coisas naturais – e, eu diria, até como estratégia de proteção do indivíduo e da personalidade. Mas, diferentemente deles, que tendem mais a punir o objeto secundário – o outro bichinho que disputa a atenção do dono, por exemplo –, os seres humanos frequentemente punem o objeto primário. Por que será?

agosto 17, 2009

O nazismo de Rozangela Justino - e de alguns leitores de Veja

Recebi da ABGLT um clipping sobre a entrevista que a jornalista Juliana Linhares com a psicóloga evangélica Rozangela Justino. Segue para análise:

Parabéns à jornalista Juliana Linhares pela coerência das perguntas feitas na entrevista com Rozângela Alves Justino. Infelizmente não podemos parabenizar a entrevistada. A psicóloga fere frontalmente os princípios da ciência, a Organização Mundial de Saúde e o código de ética de sua profissão ao pretender mudar a orientação sexual dos homossexuais com base em suas convicções religiosas. Na mesma semana dessa entrevista, a Associação Americana de Psicologia (APA) declarou que "não há evidência alguma que apoie a afirmação de alguns profissionais de que a orientação sexual pode ser alterada por terapia". No exercício da profissão de psicólogo, deve haver o respeito à cidadania das pessoas LGBT, e não o incentivo ao preconceito, à discriminação e ao estigma. Nas palavras da juíza Emília Maria Velano, em sentença sobre a alegação de inconstitucionalidade feita por Rozângela quanto à Resolução 001/99 do Conselho Federal de Psicologia: "O Conselho Federal de Psicologia tem a obrigação de reprimir esse comportamento, principalmente no que concerne ao tratamento de homossexuais em consultórios de psicologia, como se fossem doentes sujeitos a transtornos".
Toni Reis
Presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT)
Curitiba, PR

VEJA marcou um gol de placa entrevistando a psicóloga Rozângela Alves Justino (Amarelas, 12 de agosto). Essa entrevista entra para a história do bom jornalismo. A voz que faltava foi ouvida: a psicóloga punida pelo Conselho Federal de Psicologia por atender os homossexuais que a procuram. A jornalista Juliana Linhares foi incisiva nas perguntas que fez, e as respostas da psicóloga foram diretas e muito reveladoras. Parabéns pelo fino senso jornalístico da revista, ao perceber o anseio dos leitores por ouvir essa voz. Parabéns à psicóloga por arriscar sua carreira afirmando que continuará fazendo o que em consciência julga seu dever profissional fazer.
Luiz Roberto de Barros Santos
São Paulo, SP

A 43ª Assembleia-Geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), em 1990, retirou a homossexualidade da sua lista de doenças ou transtornos mentais, suprimindo-a do Código Internacional de Doenças (CID-10) a partir de 1993. A OMS diz explicitamente: "A orientação sexual por si não é vista como transtorno". Em consonância com essa perspectiva, o CFP, responsável pela regulamentação profissional dos psicólogos no Brasil, publicou em 1999 resolução que proíbe o tratamento da homossexualidade como doença e, portanto, a oferta de cura a algo que não é uma enfermidade. O conselho, dentro de suas atribuições, atua para que o desenvolvimento da psicologia no Brasil esteja alinhado com as necessidades de uma sociedade democrática, inclusiva e respeitadora da diversidade.
Humberto Verona
Presidente do Conselho Federal de Psicologia (CFP)
Brasília, DF

Parabéns, VEJA, por publicar uma entrevista tão oportuna com a psicóloga Rozângela Alves Justino. Sou médico pediatra há mais de quarenta anos e sempre considerei o homossexualismo um distúrbio do comportamento, e acho que, como tal, ele deve ser tratado. Quando uma mãe se queixa de que seu filho está com essa tendência, aconselho-a a procurar um psicólogo ou psiquiatra para que ela seja demovida. A "homofobia", tão falada hoje, nada mais é do que um sentimento natural daqueles que respeitam as leis de Deus e da natureza.
Silas Leite Prado
Médico pediatra
Belo Horizonte, MG

Apoio todas as afirmações da psicóloga Rozângela Alves Justino e seu trabalho na reabilitação de homossexuais. Até a 9ª Revisão da CID, realizada em 1975, esse comportamento era classificado como perversão sexual. Em 1985, foi classificado como distúrbio social, e na 10ª REV CID, de 1995, não foi mais considerado perversão. Antigamente, a homossexualidade era transgressão penal (Oscar Wilde foi preso por isso), depois passou a ser perversão sexual. Hoje é obrigação sexual. Atualmente, pervertidos somos nós, os heterossexuais (!).
Victor Leonardo da Silva Chaves
Médico
Rio de Janeiro, RJ

Mesmo sendo heterossexual, gostaria de expressar minha indignação no que diz respeito à entrevista que a psicóloga Rozângela Alves Justino concedeu a VEJA. Suas respostas corroboram a tese de que, de tanto ouvirem possíveis vulnerabilidades alheias, esses profissionais acabam entrando em parafuso e, em vez de ajudar, colocam mais "minhocas" na cabeça dos pacientes. Ponto para o Conselho Federal de Psicologia.
Ricardo Granatowicz
São Paulo, SP

Perplexo, triste, em choque. Foi assim que me senti ao ler a entrevista. Como, em plena era do Twitter, ainda é possível existir uma profissional que exerce sua profissão dessa forma? Não seria mais uma charlatã criando uma fórmula para encher seus cofres? Veio-me à cabeça o dia em que concedi entrevista a este mesmo veículo, e quando, com a mesma jornalista Juliana Linhares, decidi abrir o meu coração e falar da minha vida. Sofrimentos, preconceitos que um gay sofre em nossa sociedade desde criança. Pensei: o que será que mudou? Lembrei-me das centenas de cartas que recebi de mães de filhos gays dizendo que com a minha história passaram a enxergar o coração de seus filhos de outra forma. Vivemos em uma sociedade com formatos predeterminados desde o nosso nascimento. Mudar isso e fazer com que sejamos respeitados é muito difícil. Estamos vencendo barreiras e mostrando que somos iguais. Na condição de gay e descendente direto do povo judeu, senti-me desrespeitado em diversas áreas. Considero que essa senhora mereceria as punições mais severas possíveis por não saber fazer uso da palavra como psicóloga e por estar pregando um retrocesso em nossa sociedade.
Bruno Chateaubriand
Rio de Janeiro, RJ




O que dizer sobre esses comentários? Em primeiro lugar, fico extremamente feliz com a posição do CFP, com o conteúdo incisivo do comentário da ABGLT - o mesmo Toni Reis esteve enfrentando Justino num programa de rádio recentemente e lhe deu uma "lavada" - e com os demais comentários pró-diversidade.

Bruno Chateaubriand foi ao cerne, mostrando que o problema dos gays que não se aceitam ao ponto de irem buscar "ajuda" com pessoas como Justino não é serem gays - mas sofrerem o estigma social e cultural por isso, um estigma que pessoas da igreja de Justino fazem questão de manter.

Vale, no entanto, duas observações em relação aos comentários dos dois médicos. É curioso que o pronunciamento de dois tenha sido de apoio a Justino. Será que medicina continua tão conservadora? Lembro-me que uma amiga minha, lésbica, ao se consultar com um cardiologista, também dele ouviu uma "pregação" sobre o "distúrbio" ou "pecado".

Tenhamos cuidado com isso, pois, em nossa sociedade, o discurso proferido por um médico ou psicólogo tem poder - mas não significa que estejam certos.

O tal médico pediatra, por exemplo, comete um verdadeiro crime: quantas crianças não sofreram por esse tipo de atitude, em 40 anos de sua profissão? Mães iludidas que vão a psicólogos e psiquiatras pensando em "cura" de um distúrbio que não existe (repitam comigo: não existe) e crianças abusadas por pessoas que, por estudarem a mente humana, se arvoram na condição de semideuses, como se pudessem manipular impunemente o íntimo do ser de cada uma delas.

Cumpre lembrar que, no Brasil, o Conselho Federal de Medicina mesmo se antecipou à OMS e passou a desconsiderar a homossexualidade um transtorno ainda em 1985. Não foi ontem, nem hoje. Já faz mais de 20 anos! Se Silas Leite Prado, profissional há 40 anos, continua com esse tipo de abordagem, só significa uma coisa: no que tange à homossexualidade, ele deixou de se atualizar por 20 anos, o que é muito triste para um pediatra.

Já o comentário do também médico Victor Leonardo da Silva Chaves é vazio em si mesmo. Alguém precisa avisar o doutor - e, aliás, também ao Silas - que ser hétero (gostar do sexo oposto) não é sinônimo de ser homofóbico.

Gays não perseguem héteros e nem querem "convertê-los" a nada, como explicou muito bem o reverendo Márcio Retamero. O inverso, como mostra o caso de Justino e os comentários desses dois médicos, é que é verdadeiro.

Ser hétero não é ser homofóbico, e a convivência entre gays, héteros, bis, unis, múltis e qualquer espectro da sexualidade humana é possível e desejável. Os gays não lutam contra os héteros. E como poderíamos? A começar, nossos próprios pais são, via de regra, heterossexuais. Então, por que existem tantos héteros que caem nesse conto da carochinha?

Se há alguém que "precisa" (bem entre aspas, pois nossas demandas são pró-gay, e não "antifulano" ou "antibeltrano") se preocupar com o avanço do direito gay são os homofóbicos. E, como já disse, não são sinônimos. Seja um hétero consciente e abrace a diversidade.

Ah, e aproveite para anotar os nomes desses dois médicos e procurar evitar consultas com eles... Eu teria VERGONHA de ser um médico e me prestar o papel de contribuir para que a vida de parte da população brasileira se torne pior - e, vale dizer, menos saudável. Será que isso se harmoniza com o juramento de Hipócrates? E, em que escola de medicina estudaram para não saber que, na NATUREZA, comportamento gay existe e, portanto, não é contra ela?

Todos os comentários são oriundos da revista VEJA (fonte)

ESPAÇO ENTRE HOMENS em 20/08/2009

Quero sexo, vapor, calor
Suor, toalha, peitos nus
Mas também poltrona e plateia,
Debaixo da tela e sem luz"

O Espaço Entre Homens, da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, discute, NO PRÓXIMO DIA 20/08, o tema:

PRAZER COLETIVO: LUZES E VAPORES

Saunas gays e “cinemões”. Dois estabelecimentos a respeito dos quais homens gays não são neutros. Para uns, é puro erotismo, fantasia e aventura. Para outros, lugares de repulsa, falta de higiene, risco à saúde – e você? O que pensa a respeito?

Saunas e cinemas são opostos e similares ao mesmo tempo.

Enquanto, em uma, a claridade, o calor e o desfile sem pudor de corpos seminus ditam as regras; nos outros, o ritmo é dado pela escuridão – cortada por apenas uma fonte de luz – e pelas roupas, que, não raro, informam a origem e a profissão dos frequentadores e são retiradas apenas por breves períodos, nunca de forma completa.

Enquanto as primeiras se destacam pela disseminação em São Paulo, com a inauguração de novos e ousados espaços nos anos recentes e em bairros de elite, os primeiros, que já proliferavam em regiões decadentes, vêm sofrendo contínuas baixas diante de esforços por parte da prefeitura.

Ainda assim, eles têm pontos em comum.

Em ambos, o prazer dificilmente é algo individual, privado, escondido. Mesmo quando a penetração ocorre em espaços reservados, os ensaios, os jogos de sedução e a excitação são vividos em público e, não raro, todo o processo ocorre de forma coletiva, com a participação de terceiros, quartos, quintos ou mais!

Esses lugares, que traduzem, no dia a dia, comportamentos pouco explorados da experiência sexual de homens que fazem sexo com homens, suscitam reflexões e questionamentos.

- Seriam eles espaços libertários, em que a sexualidade encontra uma forma mais pura de expressão?
- Seriam eles lugares de informação e/ou sociabilidade, em que amizades e contatos são travados e contribuem para a inserção de gays que assim se reconheceram recentemente?
- Seriam eles lugares em que se propagam os comportamentos de risco, ou, ao contrário, em que a prática do sexo seguro é observada com mais frequência, inclusive quando comparados a relacionamentos monogâmicos?
- Quem vai, quem usa, quem transa, como, com quem e por quê?

Venha discutir com a gente esses e outros tópicos, com direito a comes e bebes e participação de frequentadores de saunas e cinemões – sem toalhas e sem telonas!

Contamos com sua presença! E, na próxima reunião, continuaremos no tema “Prazer Coletivo”, falando de sex clubs. Aguarde!

Quando?
20/08/2009, às 19h

Onde?
Praça da República, 386 - Sala 22 - Centro
01045-000 - São Paulo, SP
Tel.: (11) 3362-8266

Quem?
Adoradores de vapor, performers de palco-e-tela, garotos de programa, plateia e voyeurs, cidadãos comuns e “de bem”. Bis, tris, gays, unos, trans, homens, mulheres, héteros, lésbicas e qualquer um que queira participar.

Sugestão de Leitura
Para auxiliar na discussão sobre os cinemões: http://www.acapa.com.br/site/noticia.asp?codigo=5481

Sobre o Entre Homens
Gerenciado por Murilo Sarno, o Espaço Entre Homens é uma iniciativa da Associação da Parada do Orgulho GLBT que visa a refletir com o público gay, numa roda de conversa livre e espontânea, temas relacionados ao universo gay masculino. Todos são convidados a participar, e a entrada é franca.

agosto 19, 2009

Segurança do McDonald's discrimina travesti

Acabou de acontecer.

Saí aqui da redação, na R. Haddock Lobo, em São Paulo, por volta das 16h para ir "almoçar" e me dirigi à Loja AUG-033 do Mc Donald's, na Av. Paulista, 2.034, ao lado do Center 3, nas proximidades da Estação Consolação do Metrô e quase em frente ao Conjunto Nacional.

Estava eu comendo meu sanduíche quando uma travesti entrou na loja e foi abordada por um dos seguranças (então acompanhado de um garoto negro magro), que tentou obstruir sua entrada. Nervosa, ela reivindicou o ingresso e disse que ia chamar a polícia, no que o segurança ficou dizendo "chama! Eu vou chamar a Polícia", como se a ameaçasse por, sendo ela travesti, ela que se daria mal com isso. Para piorar, o segurança ainda declarou que "para começar, isso [estar trajado de mulher] é errado".

Ela se dirigiu aos caixas, ralhando com o segurança e foi atendida devidamente e quis falar com o gerente. Mesmo assim, o segurança ficou em redor, como forma de intimidação, o que não a impediu de reclamar com o gerente, e cobrando respeito, no que o segurança disse: "Então respeite o espaço onde você está". A travesti respondeu que não era marginal e cobrou o gerente, que usava óculos, que informou em voz baixa que falaria com ele [segurança], quando a travesti falou para ele tomar providências. Ao falar novamente em polícia, o segurança a desafiou a chamar e depois, num breve recuo, disse que "ia chamar a polícia para ela" (dando a entender que porque ela havia pedido) - e depois se retirou.

Nessa hora, eu, tomando meu suco de frutas vermelhas, estava ao lado, para ver se ocorria qualquer agressão mais severa e ficar ao lado dela se fosse preciso. Não houve, mas o segurança ainda se dirigiu a um grupo de, creio eu, motobóis, para criticar a travesti à boca miúda. Ela pegou seu lanche e foi sentar à mesa, no que a abordei, me identifiquei e forneci meu nome, RG e telefone para no caso de ela precisar de alguma testemunha. Ela, que se identificou como Laura, também me forneceu os telefones dela, me agradeceu, simpática (apesar de ainda nervosa) e se disse consciente de seus direitos.

Antes disso, eu tinha aproveitado o momento em que ela conversava com o gerente para fotografar o segurança em questão. Por sorte, temos eu e ela as NFs que comprovam nossa ida ao McDonald's. Minha nota indica o horário de 16:54:21, que está incorreto (sintema do McDonald's), pois não eram ainda 16h30 - eu, de lá saí, por volta desse horário, por causa de exigências profissionais, mas reiterando a ela que, se algo acontecesse a mais, não hesitasse em me ligar. Mesmo assim, como ela pediu a dela, o horário deve sair próximo do meu, o que comprova o momento em que eu lá estava, além do horário de registro da foto do celular que tirei.

A foto do segurança e também dos supostos motobóis que se encontravam próximos a ele está aqui. Eu informei à Laura que tinha tirado a foto do segurança. Liguei há pouco para Laura e ela confirmou que tudo correu bem em sua saída, mas estava indo à delegacia registrar o B.O. À noite, ela deve me ligar.

Vale informar que Laura estava elegantemente trajada com um conjunto de blusa longa e calça comprida com sandália, na cor bege, cabelo preso e lábios pintados de vermelho. Ou seja, nada diferente do que uma mulher, ou trans, de sua idade (seguramente ela passa dos 30) não usasse no mesmo ambiente.

Fica aqui registrado para vcs, junto à minha indignação. Ajude a divulgar, para que casos assim não aconteçam mais - e que o McDonald's e o gerente da AUG-033 tomem providências! Lei 10.948/2001, em São Paulo, lembram?

agosto 21, 2009

Livia Mendonça em Ídolos

Livia Mendonça é travesti, canta divinamente e tem uma voz do timbre da Maria Bethania, de quem sou fã declarado. Não é uma delícia?! Que ela evolua no programa Ídolos, porque, com vessa voz, ela merece

De casa nova

Aconteceu. Mudei meu blog de casa. E isso tem o motivo: planos. Pretendo transformar este espaço em um site pessoal, com PDFs de reportagens, artigos, textos acadêmicos, podcasts, currículo e fotos da minha coleção para disponibilizar na internet e também promover meu trabalho.

Por isso, é importante ter um endereço @joaomarinho.jor.br e deixar meu nome mais conhecido no Google (já que tenho um homônimo cantor que tem o joaomarinho.com.br e um homônimo produtor musical de Pernambuco, hehehe).

Então, é isso. De resto, fica tudo igual - até eu fazer o site. Ah, é: e agora eu também tô de mail novo: jm@joaomarinho.jor.br

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